Em 10 de agosto de 1859, os Klein chegaram ao Espírito Santo. A ficha de Michel Klein no banco de imigrantes do estado registra o destino: a estrada de Porto Velho, em Vitória, ao rio Jucu, em Viana, o caminho que subia da costa para as colônias da serra.
O contrato citava as colônias de Santa Isabel e Leopoldina. Santa Isabel, fundada em 1847 com famílias alemãs, é hoje o município de Domingos Martins.
Ali, o mestre de ofício virou lavrador. A vida do era derrubar a mata atlântica com o machado, queimar, plantar milho, feijão e mandioca entre os tocos, e erguer uma casa de madeira e barro. Não havia médico por perto, as estradas eram trilhas, e a primeira colheita decidia se a família comeria no ano seguinte.
País: Alemanha. Região: Hesse. Comuna: Nack. Chegada: 10 de agosto de 1859. Destino: Estrada de Porto Velho (Vitória) ao rio Jucu (Viana).
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, projeto Imigrantes Espírito Santo
A religião oficial do Império era a católica. A Constituição de 1824 permitia outras crenças, mas só em casa, sem nenhuma forma exterior de templo. Numa colônia de maioria católica, a família guarda a memória de uma fé vivida dentro de casa, em silêncio.
No Brasil, Michel virou Miguel. Casou com Ana Maria Marx, que os cartórios brasileiros registraram como Marques Klein. Por volta de 1865, já em solo capixaba, nasceu o filho Luiz. O ofício de fundidor não atravessou o oceano. Cem anos depois, na certidão de óbito do neto, a profissão é lavrador.
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Fontes deste capítulo
- Arquivo Público do Estado do Espírito Santo, Imigrantes Espírito Santo, ficha Nº 47670
- Constituição Política do Império do Brasil, 1824, art. 5º

